quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Executivo da Petrobras denuncia afilhado de Lobão à Polícia Federal

Veja



Um funcionário de carreira, cansado do que chamou de “má gestão proposital” da Petrobras, procurou espontaneamente a Polícia Federal para denunciar suspeitas de negociatas e desvios de verbas na estatal. Ele deu pistas aos investigadores sobre a venda de ativos da petroleira na África, sobre contratos de afretamento de navios e sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas. O denunciante apontou até um apadrinhado do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), como envolvido em negócios suspeitos. A identidade do colaborador é mantida em segredo.

De acordo com o funcionário, o afilhado de Lobão foi responsável pela área de afretamento de navios da Petrobras. No cargo, atuou na contratação de diversas embarcações “a preços superiores aos do mercado internacional”. Ele detalhou que o navio Sea Emperor foi afretado “sem real necessidade” para operar como “tancagem flutuante” no litoral do Maranhão, o que gerou “mais desvios” de verbas pelas “comissões de afretamento”.

As tais comissões de afretamento correspondem a 1,25% do valor do contrato de aluguel da embarcação, que devem ser devolvidos ao contratante, de acordo com a prática usual do mercado. O denunciante disse que os contratos firmados pela estatal preveem esse desconto, mas o abatimento não é repassado para a Petrobras. Executivos da estatal se apropriam das comissões, de acordo com o testemunho. A Polícia Federal já tinha provas nesse sentido e investiga se o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa se apropriou de comissões pagas pela Maersk. Segundo o delator, essas comissões podem chegar a 200 milhões de reais por mês, considerando o afretamento de 200 navios. Nas palavras do funcionário, “uma grande quantia” está sendo desviada.

O depoimento do denunciante também destaca negociações controversas da Petrobras de campos de petróleo na África. Ele relatou que houve um prejuízo de 700 milhões de dólares na atuação da estatal em Angola e levantou suspeitas sobre a venda por 1,5 bilhão de dólares de 50% dos campos do continente africano para o banco BTG Pactual. O valor foi considerado subdimensionado no mercado, porque outros dois bancos de renome internacional avaliavam os ativos pelo valor mínimo 7 bilhões de dólares, destacou o funcionário.

O denunciante afirmou ainda aos investigadores que o lobista Fernando Soares, o Baiano, intermediou a negociação com a Astra Oil pela refinaria de Pasadena, no Texas. A aquisição deu um prejuízo superior a 1 bilhão de dólares à estatal e é investigada pela Polícia Federal. Para desviar recursos pelo valor excedente da transação, a Astra Oil fechou contratos fraudulentos com uma consultoria espanhola, de acordo com o funcionário.

A entrevista do executivo foi feita pelos policiais que investigam a Operação Lava Jato em caráter sigiloso para embasar a apuração das denúncias.


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